segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Oi, sumida

 Lendo meus textos antigos, percebi que sou uma mulher apaixonada por viver intensamente todos meus estados de espírito. 

Me reconheci como aquela que mergulha na profundidade da dor, mas que se entrega a qualquer sinal de amor. É engraçado, porque foram tantas fases e têm coisas que não mudam.

Nossa, se eu contar aqui tudo que aconteceu comigo, desde meu último texto... Mas aquele relacionamento eu terminei e foi o que me levou pra terapia. Então, já faz 5 anos que faço terapia.

Nesse tempo que passou, eu passei também, me sinto outra pessoa. Não à toa eu "enlouqueci" e me reencontrei na minha loucura. Mas me curei do que me fazia ficar presa no passado, da dor, do abandono, da rejeição. Bom, me curei das primeiras experiências. Hoje eu lido com as novas.

Fui tantas vezes no fundo do poço, meu nome deve estar marcado lá. Repousei por um tempo na insanidade, mas compreendi que insanidade mesmo era tudo isso que tava acontecendo ao meu redor, que me fazia fugir de quem eu realmente era, que me impedia de ser só a Milena.

São tantas coisas que acontecem agora, nem sei por onde começar. 

Gostaria de registrar apenas, que agora, eu acho que vai dar certo. Eu acho que posso mostrar quem eu sou, que posso demonstrar afeto sem repressão.

Por favor, universo, nunca te pedi nada...

Haverão novos textos, novas histórias. Talvez eu esteja com mais vontade.

Preciso falar das minhas inseguranças e como tenho lidado com elas. Bom, fica pra próxima, porque agora eu preciso dormir. Prometo que o próximo será bem mais elaborado e não vou precisar apagar como fiz com vários aqui.

Até breve!

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Lugar da Alma

Às vezes precisamos nos afastar um pouco de nós mesmos e olhar para o que existe além.
Depois de pouco mais de dois anos decidi retornar, quase que no anonimato. Creio que não há quem lembre a existência deste espaço e talvez por isso, seja bom trazer minha bagunça para cá.
 Muita coisa aconteceu desde minha última passagem, cheguei a pensar que jamais retornaria devido aos tropeços pelo caminho. 
Minha alma habitou num corpo que não lhe era compatível e ficou ali um pouco mais de um ano, mas, como era de se esperar, foi rejeitada. Não haviam ligamentos fortes o suficiente e por mais que lutasse para se ajeitar naquele organismo, o alimento era escasso para a fortalecer. A minha alma hesitou e desistiu. Para romper os poucos fios que a ligavam ao corpo, minha alma se rasgou inteira e desidratou, parecendo folhas secas que envolvem uma espiga.
Assim como o universo não para o seu ciclo, continuei em movimento. Retrocedi na forma de andar, engatinhando para apenas depois poder caminhar de forma ereta.
Jurei à minha alma que jamais habitaria em outro corpo incompatível e que não a deixaria se desidratar novamente.
Pouco tempo passou e depois de algumas aventuras e escolhas, eis que a minha tão querida alma encontrou um novo corpo. Bem mais robusto e com um espaço mais confortável. Porém, apesar do lugar ideal, este corpo ainda trazia vestígios de outras almas que passaram por ele sem pretensão de ficar. A minha, se sentiu intimidada, com medo que outra viesse tirar o seu conforto e sua saúde. Algumas conseguiram frustrá-la e a deixaram doente.
A minha querida me alertou sobre quando prometi que jamais a deixaria se desidratar e me culpou de forma amarga. Mesmo assim, aceitou ficar e tentar a compatibilidade.
Minha alma vive em inconstância neste corpo. Muito bem cuidada, porém, assim como qualquer outro ser, não pode ser alimentada apenas por um componente. Necessita de uma junção de carboidrato, proteína, água, etc. Se receber muito carboidrato e ficar sem água, voltará ao estado que prometi não deixá-la: desidratada.
Há vezes que o corpo não a segura tão bem, não por desafeto, mas desatenção. Outras coisas lhe enchem os olhos momentaneamente e quando se volta para minha alma, ela está com sede.
Minha alma se regozija muitas vezes, mas também se enxerga em apatia. Se sacia, mas também se torna voraz, machucando o corpo que habita.

É incerto dizer agora que, existe um lugar ideal. Não há.
O grande esforço se refere às tentativas inesgotáveis de encontrar saúde na contribuição e no espaço do outro. Se refere às tentativas inesgotáveis de amar.
O amor é o alimento e a água, capazes de trazer a compatibilidade entre a alma e o corpo.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O lado bom da vida

Pela primeira vez, criei o título antes do texto. Eu já tinha certeza que falaria disso.

Existem dias que eu não sei o que escrever e isso me angustia muito, apesar de inúmeros temas que estão nas minhas mãos.
Existem também os dias que sou melancólica e quero falar de dor. Acho sim importante, como já disse uma vez, escrever me liberta.

Hoje eu falo no presente, passado e futuro algo que é mais do que convicto para mim: O lado bom da vida.
Não, não falo de ter dinheiro, ser bem sucedido ou outras coisas tangíveis. Também não pretendo fazer uma resenha do filme dirigido por David RussellMe refiro aquilo que não é palpável, mas que alimenta minha saúde física e mental.

O meu lado bom da vida chama-se "Amigos".

O meu lado bom da vida é saber que, apesar de tantas coisas que tentam me colocar para baixo todos os dias, ainda existem pessoas que me admiram e apostam fichas em mim.
É saber que quando faço merda, existe alguém que me dá uma puta bronca e horas de sermão, mas no fim deixa claro que me ama e só quer o meu bem.
É ter em mente que por mais que a distância persista por algum período e o tempo seja escasso, a mensagem super carinhosa de uma melhor amiga chega no whats ou em marcações no face: "Oi, sua vaca! Tô com saudade, te amo!"
O lado bom da vida, apesar de eu não gostar de sertanejo universitário e nunca pisar num rodeio, é prometer a presença num deste e ouvir sertanejo o dia todo na casa, no carro, nos áudios e postagens no facebook, daqueles amigos que não querem ouvir Lulu Santos nem Marisa Monte por mim.
É saber que aquela cachorrinha da sua amiga, que mais parece filha do que animal de estimação, quando a dona sai vem toda oportunista se aproveitar do meu colo aconchegante, mesmo que depois volte sua tutora e ela se esqueça do quanto era confortável meu colinho.
É receber mensagens de bom dia, boa tarde, boa noite, ligações e o presente de ter alguém presente mesmo em momentos que eu não mereça ou os dias sejam ruins.
É lembrar como é bom ser tratada com carinho e respeito e não precisar mendigar afeto, de novo.
É se emocionar com palavras daqueles amigos que não via há anos e saber que torcem por mim.
É ouvir que apesar de eu ser doida, estão perto de mim, pois confiam em mim.
É respeitar quando alguém me diz que sou aquilo que permito. Deixo doer quando permito e abaixo a cabeça para algo, quando permito que me faça mal.
É saber que o bem e a felicidade entram todos os dias pela minha janela, pois também permito.

O melhor lado da vida é ter pessoas que acreditam em mim e que eu não precise provar isso para elas, simplesmente acreditam no meu ser e essência.

É ter histórias semelhantes por coincidência ou pelo fato de a gente realmente parecer tanto com quem convive.
É chorar por pouco e por muito e ainda receber paciência como resposta.
É ter os abraços mais gostosos do mundo e as gargalhadas mais deliciosas do universo.
É sentir saudade mesmo que a pessoa tenha acabado de sair da sua frente.

Não é ser grude, nem exagerado. É saber dizer não, ciente da hostilidade que irá gerar.

Eu conheço minhas forças, medos e o que me subestima. Mas o que me faz bem em todas essas situações, é conhecer o poder da amizade sincera.
Do meu pai, da minha mãe, irmãos, parentes que não são de sangue, melhores amigos e até daqueles que apenas me desejam sorte.

A vida não é fácil pra ninguém, mas ela se torna mais doce quando nossos caminhos são iluminados por pessoas de boa fé e coração grato.

O lado bom da vida é saber que ninguém é feliz sozinho e ter fé no que o grande Raul Seixas disse em Prelúdio:

"Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade"

Obrigada, vida!


domingo, 5 de julho de 2015

Hoje eu só quero que o dia termine bem...

Foram dias corridos e árduos para mim.
Nem metade do que a vida me trará, mas o suficiente pra eu pedir um tempo das angústias.
Sempre soube que quando a gente exige muito da vida, ela também exige muito de nós. Tenho planos que são muitos e de grande valor pra mim. Não me canso até concretizar um a um. Óbvio que a reação nunca é da forma como escolho.
Minha maior exigência é ter dias de paz... Que ironia é antes receber o oposto!
Pensei: Ufa! Acabou 2014, e com ele tudo o que de ruim podia me acontecer, os erros, as dores, os sustos e as decepções... Quanta ingenuidade da minha parte.
2015 de certa forma me trouxe grandes oportunidades, mas já pude presenciar o amargo de alguns dias. 
Não seria drama da minha parte, afinal, quem não passa por esses dias que a gente deseja não sair da cama? Ou então dormir e acordar só quando tudo estivesse resolvido? Do nosso jeito, claro!
Eu provei semanas de muita pressão, de momentos em que fui dura comigo mesma, neguei até o que convinha, abri mão e perdi também.
Provei da desonestidade, da intolerância, do descaso e da ausência. Provei dias de muito choro. Pensei que tudo seria de outra forma. Não foi...
Perdi, doeu, levantei e abafei. Esquecer, a gente não esquece.
Senti raiva e vontade de acabar com tudo num piscar de olhos, mas lembrei que não é assim que se luta e conquista.
Andei firme nos passos e não quis olhar pra trás... Lógico que olhei, lógico que cedi ao errado, não fui leal aos meus ideais. De novo olhei pra frente, cambaleando de tristeza e olhos cheios d'água. Mas quem nunca passou por isso? Todo mundo recebe os dias ruins e inconvenientes!
Provei das mais duras enxaquecas e reprovação de amigos. Provei madrugadas acordadas e ansiedade para que o dia seguinte fosse como planejei. Alguns sim, outros não.
E a gente prova até do que não imaginava. A gente passa a conviver com pessoas que dias atrás só cumprimentava aqui, alí, num barzinho ou entre amigos.
Eu recebi apoio, abraços, repreensões e exemplos. 
Pude provar o doce valor das amizades sinceras.
E quando já não mais chorava, quando já administrava bem minhas reações, fui contemplada com dias de descanso.
Era pra ser...
Assim planejei, mas a vida é sim uma caixinha de surpresas, meu caro Joseph Climber!
As prioridades sempre mudam sem a gente entender. Eu não tô entendendo até agora.
Meu querido vô, a quem desde pequena chamo de Iaia, sofreu um infarte. Como assim vida???
Mas quem nunca passou por isso? Não, eu não passei, nunca presenciei com alguém tão próximo. 
Neste exato momento estou sentada escrevendo, tentando entender. Em vão.
A única certeza que tenho agora, é que não adianta planejar todos os meus dias.
Eu só espero que os próximos venham, independente da forma como virão, mas que eu ainda seja forte e não me canse de acreditar. Nunca me cansei. 
Não quero derrubar lágrimas, prometo que não vou.
Pretendo escrever um texto onde possa dizer que tudo deu certo e que consegui aproveitar com muita saúde a felicidade de estar perto de quem me ama. Vô, você está incluso neste plano.

"Espero que o tempo passe 
Espero que a semana acabe 
Pra que eu possa te ver de novo 
Espero que o tempo voe 
Para que você retorne 
Pra que eu possa te abraçar 
E te beijar 
De novo."

Te amo, Iaia.


sábado, 9 de maio de 2015

"e... Escrevo"

Quando alguém me pergunta quais as coisas que julgo indispensáveis até a última gota de vida, respondo que não preciso, nem exijo demais:

Eu quero acordar pela manhã e prometer que ficarei apenas mais cinco minutinhos na cama e na verdade, ficar mais dez.
Cantarolar um refrão qualquer enquanto me olho no espelho, pensando em como serão as próximas 17 horas.
Respirar o ar gelado da manhã e sair dando bom dia pela rua, em qualquer lugar.
Tomar duas xícaras de café até às nove horas e papear dois minutinhos na cozinha, algum comentário que me traga riso.
Ouvir os que as pessoas precisam falar.
Elogiar o cabelo ou o sorriso de alguém. Posso citar as sobrancelhas também, sempre.
Esquecer tudo e lembrar o dobro. Até o que não deveria.
Lidar com coisas e personalidades complexas e, por fim provar que posso muito mais do que acredito.
Eu quero chorar com soluços quando não tiver mais forças, e sorrir a ponto dos olhos ficarem apertados quando radiante estiver minha alegria.
Eu preciso de uma tarde, uma noite e uma madrugada, em uma mesa de madeira rodeada de amigos, onde exista papo do bom, cerveja e muita gargalhada.
Eu desejo abraço sincero e demorado, beijo na testa e aperto de mão firme.
Eu desejo olhar nos olhos e me enxergar neles.
Receber cafuné e massagem até cochilar.
Dar carinho e conversar sobre tudo.
Discutir política e ouvir MPB.
Ganhar livro, disco de vinil e batom vermelho.
Usar perfume doce.
Desejo muito perceber sozinha quando falo alto ou rio demais.
No frio, me embrulhar no edredom e assistir temporadas de Friends.
Eu quero também alguém pra compartilhar momentos bons e ruins, mas que no fim do dia a gente pause a nossa fala, no meio de um beijo sincero.
Desejo chegar exausta em casa, tomar um banho morno, deitar na cama e dormir pensando em como meu dia foi importante.
No meio de tudo isso, pulo de paraquedas, tatuo um sol na nuca, compro uma vitrola, ando de patins e... Escrevo.

Desejo viver como a música de Gonzaguinha, desejo viver e não ter a vergonha de ser feliz.

Desejo tão somente, paz.






domingo, 3 de maio de 2015

“Tanta gente dizendo que sente saudade. A maioria sente apenas distância. Saudade é sentimento de minoria. E só.”
— Eu me chamo Antônio.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

E de pensar que não escreveria mais...

Depois de alguns dias, poucos dias, sem querer escrever absolutamente nada, necessitei voltar.
Eu tento mudar o rumo de minhas palavras, escrever qualquer coisa que não tenha ligação a você e não faça parecer digamos, um amor platônico como um dia disse. Tento política, música, literatura... Não dá, é inevitável.
Eu preciso escrever, preciso me esvaziar.
Depois de alguns dias, especificamente 3 inteiros na cama e o restante pensando em como inverter a situação, eu tive que levantar a cabeça e ver quanta coisa boa me cerca. Poxa, possuo amigos maravilhosos, tanto motivo pra sorrir, um emprego muito bom, a graduação que escolhi desde criança, saúde e o mais importante: mais dias sim, do que dias não, possuo tanta paz dentro de mim...
Não posso me abater por tão pouco, sim pouco, será assim o meu tratamento contra a dor. Pouco pra me derrubar, me descabelar, me acabar em pranto e me arrepender.
A dor existe e é incômoda pela manhã e muito mais a noite, durante a tarde ela vai e volta, depende. Mas ela não é tudo, não é mais forte...
Mais forte foi o que vivi com você.
Não que eu use sempre o mesmo discurso, mas descrever as coisas faz parte da minha essência e não é segredo isso.
Mais forte foi o instante em que olhei dentro dos seus olhos, mais forte foi o seu sorriso. Sempre.
Tanta coisa em comum, tanta vontade de ser feliz. Fomos. Sem perceber a gente dividia nossas alegrias.
Sou capaz de citar cada momento em que me joguei nos seus braços e fui mulher. A respeito de todas as vezes que cada gesto teu alimentava o meu amor. Sou capaz de dizer sobre os dias que sorrindo, na verdade eu quis chorar...
Também posso dizer que existiram dias que mesmo ali na minha frente você estava tão ausente, e eu senti a sua frieza tocando minha sensibilidade. 
Já me entristeci sem você ter ciência disso, já te abracei mesmo querendo ir embora, mas também já virei as costas querendo imensamente ficar. Não algumas horas, nem um dia, mas o tempo suficiente pra te provar o "sim".
Têm horas que me perco dentro de mim, olho pra parede do meu quarto e vejo um filme na minha mente. São lembranças...
Existe uma pergunta solta no ar que quer saber o motivo de tanto, só por conta de um ano que tivemos envolvidos. Eu não posso responder, eu não sei responder.
Posso dizer que de outros relacionamentos, também com momentos significantes, não pude extrair tanto como fiz desta vez. Não observei os detalhes, nem tive tempo para valorizar as pequenas coisas.
Agora o tempo já não pode ser descrito por horas, dias, meses ou anos, mas sim, por intensidade na forma de vivê-lo. É isso que ressalto, a intensidade de viver as horas, dias, meses e ano, com você.

A saudade pulsa demais, o seu cheiro me visita.
Eu preciso continuar endurecendo a tal sensibilidade.

Eu sinto raiva, sinto a ferida aberta e a vontade de ir embora daqui.
Vontade de não querer mais ouvir seu nome, nem mais lembrar do seu rosto.
Tento esquecer todas as canções que despertam sua presença dentro de mim.
Em contrapartida, sempre algo muito maior pede por você, pede pelo seu abraço, pelo seu carinho: O meu amor, intruso que faz de todas as minhas vontades citadas coisas vãs.

Claro que sei o que é melhor pra mim e valorizo aquilo que realmente me faz bem. Se não fosse assim, não alcançaria meus objetivos com tanto sucesso.

Você não é um objetivo, não é uma meta. É na verdade, quem eu quero que esteja por perto quando alcançá-los.

Eu não tô pedindo "vem e fica", eu tô querendo que se for voltar não mais me deixe ver a tristeza no seu lugar.

Eu preciso dizer, que ainda e muito, te amo?

Sua falta, é imensa.